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  SAÚDE EM ALERTA  


Dengue: hidratação oral e monitoramento de hemograma são imprescindíveis para tratamento


Todo paciente com sintomas de dengue deve ser indicado a fazer uma hidratação oral, de preferência com soro ou isotônico (2 a 3 litros por dia) para evitar o agravamento da doença. Além disso, o médico precisa pedir exames de sangue do paciente (monitoramento do hemograma), para poder controlar a doença e medir quando a mesma começa a se agravar. Estas duas receitas são indicadas pelo médico André Ricardo Ribas Freitas, coordenador do Programa Municipal de Controle da Dengue, para tratar a doença e evitar novas mortes causadas por ela.
Segundo André, devido à semelhança com sintomas de outras doenças, como a gripe comum, muitas vezes os médicos de consultórios descartam a dengue de modo que o caso se agrava pela demora em iniciar o tratamento. “Febre sem a definição de infecção e sem sintomas respiratórios (pois, neste caso, a primeira sugestão será a H1N1 ou influenza sazonal), pode ser dengue, isto é, a primeira hipótese deve ser investigar a dengue e iniciar o tratamento com hidratação oral”, explica.
Para quem ainda não sabe, a dengue, apesar de parecer uma doença inofensiva, é um dos principais problemas de saúde pública em todo o mundo. A dengue está em Campinas desde 1995, mas as formas graves da doença são novidade por aqui. Foi detectada na região de Campinas, a circulação simultânea dos sorotipos 1 e 2, o que potencializa o risco de surgimento de epidemias de febre hemorrágica pela dengue.
Febre, dores de cabeça, manchas pelo corpo, dores no corpo e atrás dos olhos são sintomas da dengue, mas também de várias outras doenças como, gripes, resfriados e leptospirose. Por isso, tais sintomas acabam confundindo pacientes e médicos. É onde mora o perigo: o médico acha que é apenas uma gripe e manda o paciente de volta para casa.



Dengue em Campinas


A Secretaria Municipal de Saúde registrou, até o dia 21 de junho, 2.108 casos de dengue confirmados na cidade. Entre estes, duas pessoas morreram de dengue hemorrágica.
Segundo análise epidemiológica da Vigilância em Saúde, a curva estimada começou a apresentar declínio, conforme esperado para esta época do ano. No entanto, apesar da redução, é necessário atenção para todas as ocorrências, pois, conforme a Secretaria Municipal de Saúde tem alertado, Campinas enfrenta neste ano uma epidemia de dengue com casos mais graves que em anos anteriores.
Inclusive, a vigilância iniciou em maio a revisão de prontuários de pacientes internados com suspeita de dengue nas redes pública e privada de saúde para a busca ativa de casos graves que possam não ter sido classificados como dengue hemorrágica ou dengue com complicações.
Cinco municípios da região de Campinas concentram alta incidência de casos de dengue este ano: Sumaré (1.034 casos = 428,9/100 mil habitantes), Hortolândia (873 = 424,1/100 mil hab.), Santa Bárbara D´Oeste (1.062 = 560,2/100 mil hab.), Americana (518 = 252,4/100 mil habitantes) e Nova Odessa (366 casos = 750,5/100 mil hab.). A incidência em Campinas está em 181/100 mil habitantes.
Sobre a dengue
A dengue é uma doença infecciosa febril aguda, sendo transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, também infectado pelo vírus. Nos seres humanos, o vírus permanece em incubação durante um período que pode durar de 3 a 15 dias. Só após esta etapa é que os sintomas podem ser percebidos.
Dúvidas de dengue
Dúvidas dos médicos podem ser sanadas no site da Secretaria de Saúde/Vigilância em Saúde de Campinas: (www.campinas.sp.gov.br/saude) e pelo telefone: (19) 2116-0187.


 

Leishmaniose não afeta humanos, ainda!


Embora a Leishmaniose tenha afetado apenas cães em Campinas, até o momento, é importante que os médicos do município fiquem atentos a possibilidade de surgirem casos em humanos. Paciente com quadro de esplenomeglalia (aumento do baço) e febre podem sugerir um caso de leishmaniose visceral humana, sobretudo quando associada a pancitopenia (queda de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas), características nas fases iniciais da doença. Em fases mais avançadas, é frequente a progressão para emagrecimento significativo, anasarca, hemorragias, infecções bacterianas e, quando não tratada adequada e oportunamente, com óbito.
Segundo o médico infectologista da Covisa, Rodrigo Angerami, alguns municípios que tiveram casos da doença em cães, posteriormente também apresentaram casos em humanos. Para que haja o risco de ocorrência da doença em humanos é necessário que se estabeleça um ciclo de transmissão, no qual se incluem a prsença do vetor (o mosquito Lutzomia longipalpis ou mosquito palha), cães infectados (hospedeiro) e condições ambientais propícias (presença de materiais orgânicos, como restos de plantas, excrementos de animais e lixo).
Em Campinas, os casos autóctones em cachorros (infectados dentro do município) ocorreram em Sousas. Encontra-se em andamento a investigação de um caso canino, confirmado em Barão Geraldo, para que se possa definir da autoctonia ou não. Se confirmada, será o quinto cão autóctone, infectado no município. As recomendações iniciais são para o uso de coleiras especiais nos cães e manter o ambiente o mais limpo possível para evitar a proliferação do mosquito palha.
Apesar de já existir vacina registrada contra a doença para cães, ainda existem pendências junto aos órgãos reguladores que impossibilitam a sua indicação. Para os humanos não existe vacina.
Por serem os cães os reservatórios do parasita, sendo, portanto, fonte de infecção para o mosquito vetor, e por não haver tratamento para a doença, a eutanásia dos animais com confirmação laboratorial da doença se constitui uma das intervenções para o controle da doença.
Para os médicos, uma vez que Campinas apresentou a doença em cães, passa-se a incluí-la no rol de municípios com risco de transmissão em humanos e a mesma passa a fazer parte do diagnóstico diferencial. Os médicos que tiverem pacientes com suspeita de leishmaniose visceral devem notificar a vigilância em saúde. “É bom lembrar que a existência da doença em cães deixa a cidade com fator de risco, mas não significa que, necessariamente, viremos a ter a doença em humanos”, explica o dr. Rodrigo.
Dúvidas podem ser tiradas diretamente na Covisa, pelo fone: 2116-0187.


Como vai a Influenza H1N1?


Ainda que a cidade tenha registrado apenas seis casos da nova gripe H1N1 (com um óbito) e que tenha havido a vacinação nos grupos de risco, é importante que os médicos estejam atentos exatamente para que o município não registre outros casos graves.
“Nenhuma vacina é 100% eficaz e, portanto, o fato de ter sido vacinado não isenta o individuo de apresentar a doença. A resposta dessa vacina é diferente de pessoa para pessoa. É importante que o médico avalie se o paciente apresenta quadro de gripe e se ele faz parte do grupo de risco”, explica o médico Rodrigo Angerami, infectologista da Coordenadoria da Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas - Covisa.
De acordo com ele, se o paciente fizer parte do grupo de risco para a doença, isto é, apresentar doença crônica – cardíaca, pulmonar etc, mais de 60 anos ou menos de dois anos ou ainda deficiências imunológicas (câncer, AIDS etc) e mesmo que não esteja em estado grave, mas com síndrome gripal, ele deve ser tratado precocemente com o antiviral oseltamivir – o Tamiflu.
O acesso ao remédio, segundo o Dr. Rodrigo, está ocorrendo de maneira ampliada no Hospital Municipal Mário Gatti, no Complexo Hospitalar Ouro Verde e também nas duas farmácias populares da cidade. O medicamento é disponibilizado a qualquer paciente, desde que ela tenha a prescrição médica (formulário especial).
Casos mais graves de pacientes com sintomas da doença, que são internados em hospitais e UTIs, além de receberem o tratamento com oseltamivir (Tamiflu), devem ter material (secreção respiratória) colhido por meio de swab ou aspirado de nasofaringe e ser notificados junto à Vigilância Epidemiológica.
A influenza H1N1, como se observou em 2009, além de incidir sobre grupos de pacientes que sabidamente apresentam situações de maior risco para complicações, pode afetar também, pessoas saudáveis, indivíduos jovens, e pode levar a morte. Trata-se de um vírus diferente dos outros e que, por isso, merece toda a atenção, principalmente porque estamos na época de maior perigo para a expansão da doença.
Para o infectologista, a gripe sazonal, antes do aparecimento da Gripe A, era vista como uma doença simples e sem grandes complicações, mas que, na verdade, já levava muitas vezes a quadros graves. O aparecimento da influenza H1N1 serviu para que todos, população e médicos, pudessem dar mais atenção a todo o tipo de gripe e passassem a tomar as devidas precauções, incluindo a recomendação de vacinação, identificação de grupos de indivíduos mais vulneráveis a formas graves e a adoção do tratamento adequado.



Toda meningite deve ter notificação compulsória


A ocorrência de casos de doença meningocócica na cidade de Campinas, apesar de não chegar a níveis epidêmicos, tem crescido desde meados do ano passado. Por isso, é importante que os médicos, principalmente nos pronto-socorros, fiquem atentos aos casos que vierem a surgir, pois qualquer tipo de meningite, seja ela viral ou bacteriana, é de notificação compulsória.
Em geral, a meningite é muito aguda e grave, com os casos recaindo diretamente nos hospitais ou pronto-socorros. É importante dizer que na investigação das meningites, especialmente das bacterianas é preciso identificar o agente etiológico.
 “Um exame simples, indicando uma provável etiologia bacteriana, já pode direcionar o tratamento, mas, a identificação do agente etiológico é importante para a saúde pública definir e direcionar as medidas de controle da população. É importante ressaltar que todas as meningites são de notificação compulsória”, lembra a Dra. Brigina Kemp, coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde.
No caso da meningite meningocócica ou da meningococcemia isolada, a notificação precisa ser imediata, pois elas requerem medidas de controle chamadas de bloqueio.
O aumento de casos de doença meningocócica em Campinas desde meados do ano passado, apesar de não atingirem níveis epidêmicos, requerem um alerta especial para os médicos. Os sorotipos identificados na cidade são do grupo C e B. “É importante para a secretaria saber qual o tipo de meningite para direcionar as medidas de intervenção”.
A coordenadora da Vigilância lembra ainda que, em Campinas, é preciso que o médico esteja atento quando o quadro clínico do paciente vir acompanhado de lesões cutâneas e hemorrágicas, pois, existem outras doenças que apresentam sintomas similares, como a dengue hemorrágica e a febre maculosa.


Dúvidas relacionadas a meningite:
Covisa, fone: 2116-0187 (ou nas VISAs Regionais, contatos no site da secretaria municipal de saúde: http://2009.campinas.sp.gov.br/saude/)