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O médico ortopedista, Rubens Fichelli, foi um dos quatro primeiros ortopedistas a desembarcar no Haiti, como membro da ONG Expedicionários da Saúde.
A tragédia que assolou aquele país no último dia 12 de janeiro, deixou o médico extremamente sensibilizado. Por isso ele se inscreveu em vários sites de voluntariado, quando surgiu a oportunidade de trabalhar em conjunto com os Expedicionários de Saúde.
A Equipe, composta por quatro ortopedistas, dois anestesistas, um técnico de raio-x, cinco auxiliares de enfermagem e uma pessoa responsável pela logística, chegou ao Haiti em 26 de janeiro. Confira abaixo o relato do ortopedista, sobre esta viagem:
“A equipe pretendia montar um hospital de campanha em Porto Príncipe, porém, ao chegar à capital do Haiti, o local não oferecia a menor estrutura de segurança para o trabalho. Seguimos então, por sugestão da ONU (Organização das Nações Unidas), a uma cidade mais ao Sul, chamada Lês Cayes, com 70.000 habitantes, mas que aquela altura estava com sua população dobrada pela migração de pessoas vindas da capital.
No caminho percebi as pessoas sem rumo, indo e vindo a pé, sobre burricos ou carros lotados, simplesmente vagando.
As pessoas dormiam em barracas improvisadas com lençol e cabo de vassouras por todo o acostamento da rua, estradas e terrenos baldios.
A tragédia se mostrava em cada olhar, em cada passo percebíamos o verdadeiro sentido pela sobrevivência.
Ao chegar a Lês Cayes, fomos acolhidos em um pequeno Hospital de Oftalmologia, mantido pela fundação Canadense Brenda Sttraford. O Hospital era muito pequeno, com pouca higiene, sem raio-x, laboratório ou banco de sangue. Quando um paciente precisava de sangue, íamos até a Cruz Vermelha Holandesa para doarmos sangue e fazer a cirurgia.
Reformularam todo o Centro Cirúrgico. Colocamos portas, montamos uma central de material na cozinha e a garagem virou almoxarifado.
Nosso primeiro instrumental cirúrgico foram vassouras, rodos e panos, para deixar o local em mínimas condições.
O que mais aquela população precisava era atenção e carinho, pois com a tragédia eles também perderam o pouco de respeito e dignidade, sentimentos que precisam ser resgatados.
Conseguir um sorriso de uma pessoa era como se o mundo de esperanças se abrisse e todas as dificuldades ficassem para traz.
O trabalho em equipe foi fundamental para o sucesso da missão. O técnico de raio-x, os enfermeiros, as pessoas da logística, todos com a mesma importância e trabalhando como uma engrenagem.
Foram realizadas nesta 1º expedição, mais de 100 procedimentos cirúrgicos, dezenas de consultas ambulatoriais e milhares de sorrisos.
Os “Doctor’s Brasilien”, como são conhecidos pela população, tornaram-se referência na Região para tratamento de casos ortopédicos complexos. São dezenas de pessoas que chegam diariamente ao Hospital, trazendo cartas de encaminhamento de diferentes partes do país.
Ainda não pudemos finalizar o trabalho no Haiti, já que muitos ainda necessitam de cirurgia, outros de revisão e acompanhamento pós-operatório.
Assim, os expedicionários decidiram que a cada inicio de mês, uma nova equipe visitara o país e dará continuidade ao atendimento iniciado”.
Após este emocionante relato, não podemos deixar de citar, que seguiram o mesmo caminho do Dr. Rubens nas expedições que se seguiram, outros médicos da nossa região, que ele faz questão de lembrar: Dr. Ricardo Ascar, Dr. Rafael Barreto, Dr. Jose Luis Amin e Dr. Ricardo Morelli.
Nós do MedicAção, aproveitamos para parabenizar esta importante atuação de médicos de nossa região, que enaltecem a medicina e merecem todo o respeito e admiração da população.
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