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Responsabilidade Criminal na Medicina
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Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC)
recebeu durante o IX Congresso Médico, o presidente
do Tribunal do Júri e diretor do Fórum
de Campinas, o juiz José Henrique Rodrigues Torres.
Ele ministrou uma palestra sobre as responsabilidades
criminais do médico, assunto que desperta interesse
entre os profissionais.
Em pouco mais de uma hora de explicação,
o juiz exemplificou os principais tipos de crimes em
que a categoria pode estar sujeita a cometer. Tais como:
lesão corporal, homicídio, omissão
de socorro e até transfusão de sangue.
Este último provocou bastante polêmica
entre os participantes.
Segundo o magistrado, para que um médico seja
responsabilizado criminalmente e até mesmo preso
é preciso que ele tenha culpa e descumpra a lei
penal. "Antes de o médico ser penalizado,
a Justiça leva em consideração
se ele teve ou não intenção de
cometer o erro, quais eram as condições
físicas e estruturais durante o atendimento do
paciente e principalmente, o que levou o profissional
a adotar procedimentos que supostamente podem ter matado
o paciente”, afirmou Torres.
O Código Penal prevê, em casos de erro
médico, punições que vão
desde a uma multa até prisão. "Várias
são as discussões sobre o assunto porque
a medicina não é uma ciência exata
e permite diversas interpretações",
argumentou o juiz. Um dos exemplos citados por ele na
palestra foi à queixa de atendimento em Pronto-Socorro
público. As unidades de saúde estão
cada vez mais lotadas e com um quadro de profissionais
ínfimo.
Isso muitas vezes leva o paciente a denunciar o médico
quanto ao atendimento precário. "Nesse caso
é preciso avaliar a situação em
que o profissional está submetido. Se ele não
cometeu nenhum erro de atendimento e só existe
a demora, então isso não é considerado
crime. O procedimento é válido mesmo que
um paciente venha a falecer aguardando socorro”,
ressalta o diretor do fórum.
Há quem acredite que a atitude possa ser considerada
negligência ou omissão de socorro. “O
médico não pode ser responsabilizado por
ser o único profissional disponível no
posto de saúde e que por sinal está acumulando
um volume grande de trabalho" , adiantou Torres.
Entre janeiro e a primeira quinzena de maio, o Departamento
Jurídico da SMCC, que possui três mil associados,
registrou oito indenizações e outras sete
sindicâncias foram abertas contra os profissionais
da saúde. Para a advogada da SMCC, Vera Lúcia
Espinoza, os pacientes estão mais conscientes
sobre os seus direitos.
“Mas também existem equívocos em
relação à conduta médica.
Em Campinas, 90% das denúncias não possuem
fundamentação técnica e por isso
não são levadas adiante”, falou
a especialista. Ela acrescenta que as áreas que
mais recebem queixas são ginecologia e obstetrícia.
As reclamações mais freqüentes são
referentes a complicações no parto e assédio.
Na tentativa de evitar problemas como esse, ela aconselha.
“Orientamos os profissionais a realizarem os atendimentos
sempre acompanhados de um enfermeiro ou uma pessoa da
equipe. Isso resguarda o médico e o paciente",
concluiu Vera.
Veja também:
Outros temas que fizeram parte do IX Congresso Médicoi
de Campinas:
-
Congresso Médico premia acadêmicos
-
Violência Doméstica e Sexual – Um
problema de Saúde
Fotos da abertura,
premiação dos acadêmicos e encerramento
do IX
Congresso Médico de Campinas, dia 17 de maio
no The Place.
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