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  Informática Médica: Prós, Contras e Cuidados  

Por Vera Lúcia Espinoza


A espantosa evolução da informática toma conta do nosso dia a dia, causando mudanças significativas, provocando diversas alterações nas relações interpessoais, demandando novos padrões de comportamento. E na saúde não é diferente: o uso da Internet e e-mails dão novos contornos ao relacionamento médico-paciente.

Sem dúvida, estar on-line com o paciente propicia ganho de tempo e redução de custos, além de gerar mais aproximação entre as partes.

Embora ainda seja difícil uma avaliação completa acerca do impacto provocado pela informática na relação médico-paciente, alguns questionamentos de ordem legal e ética já estão ocorrendo, num claro sinal de que posturas devem ser adotadas objetivando evitar desencontros e conflitos decorrentes da “sociedade da informação”.

Com relação aos e-mails, é preciso saber utilizar a liberdade que eles proporcionam. Cuidar do seu conteúdo se revela uma providência absolutamente relevante. Emissão de hipóteses diagnósticas, segunda opinião, críticas a condutas de colegas, comentários sobre fatos que se constituem segredo médico, devem ser evitados ou, quando necessários, feitos dentro do espírito do Código de Ética Médica. Isso porque a relutância dos poucos estudiosos do Direito em não aceitar a realização de prova através de e-mail, por o considerarem mutável por natureza, está com os dias contados.

Além da grande maioria da comunidade jurídica entender que as mensagens eletrônicas, quando apresentadas em juízo, gozam da presunção de verdade, tramita projeto de lei cuja proposta iguala o e-mail ao telegrama e ao radiograma, considerados prova documental pelo Código de Processo Civil.

Já o acesso à Internet, mudou o comportamento dos pacientes. Não é incomum que o mesmo compareça à consulta munido de informações sobre o seu quadro, muitas vezes até com um “diagnóstico prévio” obtido na Internet.

Em interessante pesquisa feita pela Drª Wilma Madeira da Silva[1], ficou constatado que a motivação dos pacientes para acessar a Internet após uma consulta é a complementação ou o esclarecimento de dúvidas, decorrentes em grande parte, da utilização de linguagem técnica, que aparece como um elemento distanciador entre o médico e o paciente.

Os resultados da pesquisa mostram também que a maioria dos pacientes entrevistados refere que as informações obtidas via Internet propiciam maior interação com o médico, sem necessariamente apontar para um maior exercício da autonomia do paciente.

Muito interessante ressaltar que dados colhidos, mostram ainda que o paciente considera demonstração de competência do profissional médico, quando este apresenta uma reação positiva, frente ao interesse daquele em buscar mais informações sobre os assuntos discutidos durante a consulta.

[1] “Navegar é preciso: Avaliação de Impactos do Uso da Internet na Relação Médico-Paciente.” Dissertação apresentada em 2006 ao programa de Pós Graduação em Saúde Pública da Universidade de São Paulo para obtenção do Título de Mestre em Saúde Pública.