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Médico e deputado Pinotti morre aos 74 anos na Capital
Ex-reitor da Unicamp estava internado desde segunda-feira devido a um câncer
Maria Teresa Costa
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
teresa@rac.com.br
O médico-ginecologista e deputado federal licenciado José Aristodemo Pinotti (DEM) morreu na madrugada de ontem no Hospital Sírio Libanês, na Capital, onde estava internado desde a última segunda-feira devido a um câncer de pulmão. O ex-reitor e responsável pelo processo de institucionalização da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) tinha 74 anos e deixou mulher, a professora universitária Suely Pinotti, dois filhos e cinco netos. O velório foi na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), onde se formou e lecionou. Pinotti estava no terceiro mandato como deputado federal e havia se licenciado em março para assumir a Secretaria Especial da Mulher da Prefeitura de São Paulo. O corpo foi enterrado no Cemitério da Consolação.
A Câmara Federal decretou luto ontem e suspendeu as votações em plenário. O Senado também cancelou a sessão e o governador José Serra (PSDB) cancelou a audiência que teria com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para assinatura do Programa Anual de Financiamento (PAF) da Dívida Pública do governo.
“Como reitor no período de 1982 a 1986, o professor José Aristodemo Pinotti desenvolveu um trabalho fundamental para a consolidação da Unicamp após as bases lançadas pelo seu fundador, Zeferino Vaz”, disse o reitor, Fernando Costa. Durante a gestão na universidade, Pinotti reconstruiu o campus, reformou os estatutos, iniciou o processo de institucionalização interna, e uma série de faculdades e institutos foram instalados.
Um dos maiores orgulhos foi ter criado, em 1986, o Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), desenhado em moldes ingleses de assistência. Pinotti era professor e chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP.
Assessorou a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização dos Estados Americanos (OEA). Pinotti também foi assessor da Divisão Nacional de Câncer do Programa de Prevenção e Controle de Câncer Cérvico-Uterino do Rio Grande do Sul e da Divisão Nacional de Saúde Materno-Infantil da Secretaria Nacional Programas Especiais de Saúde do Ministério da Saúde.
Sua vida foi dedicada à educação, à saúde e à política, boa parte dela em Campinas, onde disputou a Prefeitura com José Roberto Magalhães Teixeira (PSDB). Integrando o PMDB na época e tendo como vice Alcides Mamizuka, perdeu para o tucano na eleição de 1992. Depois, passou pelo PSB, foi para o PV, retornou ao PMDB e atualmente estava no DEM.
Mesmo com tantas idas e vindas na política, suas grandes lutas, no entanto, foram na Saúde, sempre defendendo com voracidade o Sistema Único de Saúde (SUS). Seu último discurso na Câmara Federal, em fevereiro, é um exemplo dessa luta: “Uma gangue de ladrões rouba o Estado, na área da Saúde, durante dez anos, com estratégia perfeita e proteção garantida. O tempo passa, deixam uma prova aqui, outra ali, e eles continuam se sentindo seguros. O chefe do grupo lidera o grande e contínuo furto, como se isso não existisse, não houvesse culpados e tampouco lesados. Os jornais publicam medidas por ele tomadas para coibir fraudes, e o povo aplaude”. Ele cobrava o cumprimento da lei que obriga os planos de saúde a ressarcir o atendimento feito a conveniados em hospitais públicos.
“Pinotti salvou muitas mulheres”, disse a ex-prefeita da Capital Marta Suplicy (PT), lamentando a morte do ginecologista que se formou em 1958 pela Faculdade de Medicina da USP, foi professor titular e chefe do departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Unicamp de 1972 a 1982; diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp de 1970 a 1971 e de 1976 a 1980; diretor executivo do Caism de 1985 a 1986; diretor executivo do Instituto da Mulher do Hospital das Clínicas de São Paulo e chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da USP.
Pinotti também foi secretário de Estado da Saúde e da Capital, além de secretário estadual de Ensino Superior. Especializado em ginecologia pela Università Di Firenze (Itália), o médico era membro da Academia Paulista de Medicina e professor-adjunto da Universidade La Sapienza (Itália). Teve passagens pelos hospitais Pérola Byington, onde fez sua residência, e pelo próprio Sírio-Libanês. Tem mais de 1,3 mil publicações, entre elas 37 livros científicos, mais de 450 artigos em revistas e jornais especializados nacionais e estrangeiros, duas teses publicadas, dois livros de poemas e colunas sobre saúde assinadas em jornais. Pinotti escrevia com regularidade também na página de Opinião do
Correio. Era membro da Academia Campinense de Letras (cadeira 23).
Instituto da Mulher terá nome do ginecologista
Campinas vai homenagear José Aristodemo Pinotti dando seu nome ao Instituto da Mulher, uma obra de R$ 5 milhões que está prevista para ser entregue em 2010. Com a verba já aprovada pelo Ministério da Saúde, o instituto reunirá vários serviços de assistência feminina, como o Banco da Mulher e Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), explicou ontem o prefeito em exercício, Demétrio Vilagra (PT). “Campinas sente muito a perda deste grande parceiro, não apenas do político Pinotti, mas também do seu trabalho nas áreas de Saúde e Educação, principalmente pela dedicação à saúde da mulher, área em que é uma referência. Foi um lutador, essencialmente”, disse Vilagra. (MTC/AAN)
REPERCUSSÃO
“Pinotti se destacou como médico, como reitor da Unicamp, como deputado e teve papel importante em tudo o que realizou. Campinas deve muito a ele.”
SYLVINO DE GODOY NETO
Diretor presidente da
RAC
“Muita tristeza pela morte do Pinotti. Caro amigo, duas vezes meu secretário. Dedicado à saúde da mulher, tornou modelo o Hospital Pérola Byington.”
JOSÉ SERRA (PSDB)
Governador de São Paulo
“Um exemplo de profissional sério, pesquisador profícuo, com uma extensa obra publicada e um homem público que soube honrar os mandatos que recebeu, mantendo-se fiel ao interesse público e à necessidade de trabalhar para superar os graves problemas nacionais, principalmente nos campos da Saúde e da Educação.”
LUIZ FLÁVIO BORGES D’URSO
Presidente da OAB-SP
“Parlamentar e médico exemplar demonstrou, durante toda sua trajetória, sensibilidade quanto aos problemas sociais e deixou marcas de sua atuação em importantes setores da Saúde e Educação.”
MICHEL TEMER (PMDB)
Presidente da Câmara dos Deputados
“Ele marcou sua vida pública por uma competente dedicação às causas da Saúde e da Educação. Estava dando mais uma contribuição à cidade de São Paulo como secretário especial da Mulher. É uma grande perda para todos nós.”
GILBERTO KASSAB (DEM)
Prefeito de São Paulo
“É uma grande perda para Campinas. Entre os médicos, Pinotti se destacou pelo trabalho como ginecologista e obstetra e também por sua importante atuação na Unicamp. O médico deu uma importante contribuição com seu trabalho na Unicamp.”
DENISE BARBOSA
Presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas
“Através de seu legado, Dr. Pinotti continuará a nos inspirar na direção do que pautou toda a trajetória médica e de homem público: a dignidade do ser humano e o atendimento adequado às necessidades de bem-estar.”
JOSÉ GOMES TEMPORÃO
Ministro da Saúde
“É uma perda muito grande para a política regional. Pinotti trouxe muitos avanços na área da saúde da mulher.”
RODRIGO MAIA (PSDB)
Presidente do Conselho de Desenvolvimento da RMC e prefeito de Monte Mor
“Pinotti deu uma contribuição muito importante para a saúde da mulher. Um médico brilhante, grande cirurgião. Ele foi o pioneiro em várias técnicas cirúrgicas. Além do excelente profissional, Pinotti foi um pai e um avô exemplar. Era um grande lutador.”
PAULO RENATO SOUZA
Secretário de Estado da Educação
“Além da seriedade e do profundo conhecimento, os dois atributos mais importantes dos profissionais da medicina, o dr. José Aristodemo Pinotti era exemplo de solidariedade humana e de responsabilidade social e política.”
RODRIGO MAIA
Presidente do DEM
Fonte: Jornal Correio Popular
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