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Artigo: A vindoura epidemia de "doença das capivaras" no Brasil |
16/07/2009 |
A febre maculosa é uma doença silvestre, uma infecção que ocorre nas florestas. É causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, que vive dentro do carrapato estrela (Amblyomma cajennense). Ela é transmitida pelo carrapato. É muito rara, mas tem altíssima mortalidade: 70%.
No ano de 2003, inesperadamente, apareceu um foco desta doença, no Parque da Lagoa do Taquaral, dentro da cidade de Campinas, SP, pela primeira vez na história.
Estava surgindo a febre maculosa urbana, uma nova modalidade epidemiológica desta doença, cujo estudo nos levou a novas e importantes conclusões. Sabe-se que, o carrapato pode viver parasitando milhares de espécies de animais, que são os seus hospedeiros secundários (intermediários). Porém, ele se reproduz apenas em seus três hospedeiros primários (definitivos): antas, cavalos e capivaras. Antas, não existem na região. Cavalos, dentro da cidade de Campinas, são raros e recebem razoáveis cuidados e tratamentos contra parasitas, tendo poucos carrapatos. Sobra, portanto, a capivara, como a única responsável pela reprodução (e multiplicação) dos carrapatos, sendo a origem da febre maculosa urbana, que, por isso, recebeu o nome de “doença das capivaras”.
Sem estes animais, os carrapatos morrem expontaneamente, dentro de um ano, sem deixarem filhotes e desaparece a febre maculosa urbana.
Posteriormente surgiram outros focos desta doença, dentro da cidade de Campinas, e também dentro de dezenas de cidades vizinhas. Isso tudo aconteceu, porque, em l988, foi proibida a caça de capivaras no Brasil.
Depois disso, a população destes animais está crescendo muito, em progressão geométrica. Cresceu tanto, que, hoje, em 2009, elas estão invadindo algumas cidades. Por outro lado, sabe-se que o número de carrapatos de um lugar aumenta, exponencialmente, de acordo com o número de capivaras. Por isso, é possível prever uma epidemia de “doença das capivaras”, dentro de algum tempo, no Estado de São Paulo. Posteriormente, esta epidemia vai se alastrar pelo Brasil inteiro, lentamente.
Para evitar esta vindoura epidemia, é preciso retirar as capivaras de dentro das cidades e liberar a caça destes animais.
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Antonio Jofre de Vasconcelos, médico do trabalho, ex-professor de epidemiologia da Unicamp, Rua Angatuba, 65, Campinas, SP,
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