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O MÉDICO DOS INFERNOS
Poesia (versos brancos) |
06/12/09 |
Quando morrer, eu não quero ir para o céu.
Lá deve ser muito chato. Anjinhos e mais
anjinhos tocando harpas e louvando a Deus.
Eternamente, sem mais nada para fazer.
Quero ir para o inferno. Lá terei movimento.
Vou trabalhar. Assim que chegar, eu vou
montar uma clínica de queimados. Vou
passar pomadas e fazer curativos em todas
as queimaduras. Vou trabalhar para amenizar
as dores e aliviar o sofrimento. O diabo não
vai gostar, é claro. Ele vai me dar uma surra,
todos os dias. Eu não vou estranhar, nem
me importar muito. Já estou acostumado a
apanhar dele. Vejo-o, sempre, por trás das
doenças incuráveis, da fome, da pobreza,
e das injustiças. Vou continuar, sempre,
ajudando as almas que estão sofrendo.
E, assim, eu quero ser médico, eternamente.
Antonio Jofre de Vasconcelos, médico, 06/12/09.
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