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Crônica: Lágrimas do Rio de Janeiro: um Apelo
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20/01/2011 |
Hoje só chorando as águas e suas vítimas do Rio de Janeiro e de todos os meses chuvosos. Chorei por meus irmãos lágrimas densas e viscerais de vida morrendo, escorrendo, deixando vazios repletos de dor no peito e, além dele, na alma.
Rios de lama despencam pelas encostas de cidades queridas e discretas como Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo entre outras de nosso país. Carregando a terra ladeira abaixo, desmanchando a paisagem serrana em segundos como se fossem cachoeiras que vão descendo levando as casas, as coisas e as pessoas, e cada vez mais lama caminha para os vales dos rios deixando um rastro de destruição e dor.
Então, os vales dos rios já carregados e transtornados por tanta chuva e de tamanha tristeza choram. E quando não agüentam mais suportar o imenso volume que, a cada segundo aumenta, só encontram uma saída: lançam-se sobre as cidades ribeiras encontrando-se com as cascatas que descem dos montes criando uma arrebentação que deságua destruindo a vida e mostrando a morte em números e formas desconcertantes: afogamentos, desmoronamentos, soterramentos e isolamentos. Populações sufocadas pelo bravio mar de lama que quer desaguar, e ninguém consegue segurar, prevenir, explicar...
Pessoas sendo salvas em tão precária situação destacam-se na tragédia cavando com as próprias mãos para encontrar sobreviventes ou corpos. Avós agradecem a Deus por seus netos vivos mesmo tendo perdido tudo e todos os demais membros da família. Salvamentos arriscados são feitos por quem não entende, mas reconhece a necessidade. E os sobreviventes, ora salvadores, jogam uma enorme corda que lança esperança a quem está sendo carregado pela enxurrada. No momento certo uma pessoa segura essa corda e a amarra ao seu corpo e sobe, sendo içada com a força dos que puxam a corda da solidariedade, e eu constato neste importante momento: - Estou diante do mistério da morte: a vida.
E percebo a força da humanidade e que é preciso correr o risco da morte para que a vida continue.
Escrevo, enviando toda a minha força e através dessa crônica peço ajuda a todos daqui de Campinas para todos que vivem na atual catástrofe.
Não desistam da vida porque o Criador nos abençoou a todos nós, brasileiros, dando-nos solidariedade a flor da pele e uma fé mais forte do que a morte.
Dra Marisa Corrêa Christensen
Médica sanitarista e homeopata
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