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No tempo das sangrias aceitar a prescrição
médica podia equivaler a uma sentença
de morte. Baseado em um sistema de crenças
que misturavam noções religiosas e puros
preconceitos, buscava se a purificação
com a eliminação do sangue viciado.
E muitos sangravam repetidamente, enfraqueciam, eram
sangrados de novo e assim até a morte.
Por outro lado, isso refletia os modos
de ver as coisas por parte do povo comum. Quem não
se lembra das famosas teias de aranha que eram colocadas
no coto umbilical para "auxiliar" a cicatrização
? Auxiliavam, quando muito, o desenvolvimento do tétano.
A medicina só muito recentemente
adquiriu o status de ciência. Ainda que mesclada
à arte, passou a exigir de si mesma provas
e evidencias verificáveis e previsíveis.
Isto evidentemente não lhe confere infalibilidade.
O ser humano é complexo, é finito e
é exigente.
O recurso terapêutico clinico
mais utilizado nesta era de racionalidade é
o da medicação. Os medicamentos são
substancias químicas, que introduzidas de alguma
forma no organismo, influenciam e alteram algumas
funções. Poucos concebem hoje ser possível
sair de uma consulta médica sem uma receita
de algum (ou alguns) medicamento na mão.
Os medicamentos passaram a ser um real
fator de cura ou alivio sintomático, e obtiveram
tanto sucesso, que hoje a industria farmacêutica
é um dos setores mais poderosos da economia
mundial.
Bem indicados, e adequadamente tomados,
os medicamentos têm promovido a qualidade e
quantidade de vida. Mas nem sempre são isentos
de efeitos colaterais que às vezes podem ser
fatais. Estima se que até 100 mil pessoas morrem
por ano no mundo em conseqüência de reações
aos medicamentos, e que cerca de 8 milhões
de pessoas sofrem com os seus efeitos colaterais.
Neste contexto preocupa o fenômeno
da auto medicação e da empurroterapia,
que no Brasil adquire importância ainda maior
já que as leis que deveriam inibi la existem
e poderiam ser muito eficientes se devidamente aplicadas.
Muitos, impressionados com os resultados
terapêuticos conseguidos por parentes ou conhecidos
com determinado fármaco, tentam ao administra
los a si próprios chegar aos mesmos benefícios.
Às vezes o conseguem, mas na maioria das vezes
apenas gastam dinheiro, protelam o efetivo tratamento
e se expõem aos efeitos colaterais.
Existem situações em que
essa pratica leva até mesmo a uma perda da
potência do medicamento numa situação
futura, como no caso dos antibióticos.
Entre a automedicação
intempestiva e a prudência é melhor atender
ao secular conselho: Primum non nocere (antes de tudo
não prejudicar).
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