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Artigo: ALERTA:
O sarampo está de volta!
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Desde o ano 2000, estima-se que o vírus
do sarampo não circule endemicamente no Brasil.
Até 2005 as ocorrências foram relacionadas
direta ou indiretamente com a importação
do vírus.
Não deu nem tempo para comemorar: a recente
confirmação de 43 casos de sarampo e
outros 54 a confirmar, no Estado da Bahia, fez a vigilância
sanitária entrar em alerta.
Suspeita-se que a circulação
do vírus já estava ocorrendo algum tempo
antes de ser detectada, fortalecendo a sombria previsão
de que este problema se prolongue e agrave nos próximos
meses, com uma expansão da transmissão
para todo Brasil, visto que no carnaval, a Bahia recebeu
mais de dois milhões de visitantes, que agora
voltam para seus estados e cidades.
O trauma e a coincidência são
grandes. As duas últimas epidemias ocorridas
no Brasil, foram em 1987 e 1997, dez anos as separavam,
e agora 2007, dez anos após a última,
o mal volta a rondar.
Em 1997, no Estado de São Paulo foram confirmados
23.909 casos com 23 mortes; na região de Campinas
foram 1.133 casos confirmados, 104 internações
hospitalares e 2 óbitos: uma criança
de sete meses de idade e um jovem de vinte e dois
anos.
Nesses últimos anos, nenhum caso
de sarampo foi confirmado no Estado de São
Paulo, até janeiro de 2007, mas agora o risco
é iminente e os dados estatísticos apóiam
essa previsão. As coberturas vacinais da tríplice
viral, que contempla o sarampo, caxumba e rubéola,
em crianças de um ano de idade foram de 92,5%
em 2005 e 93,9% em 2006; números que parecem
altos, mas quando comparados com a cobertura no ano
da epidemia de 1997, disparam o alarme, naquele ano
foi de 95,3% e mesmo assim tivemos o surto.
Um estudo da epidemia de 1997, indica
que os preditores da sua ocorrência foram: falhas
na cobertura vacinal, tempos de alta migração
e aumento na freqüência de grandes aglomerações
infantis como ocorre nessa época de volta às
aulas, creches e berçários.
O sarampo é uma doença
viral aguda, altamente contagiosa por meio de secreções
respiratórias. A análise das amostras
clínicas ocorridas na Bahia, identificou o
vírus do genótipo D4, cepa circulante
comum na Europa e África com alto poder de
virulência.
Os principais sintomas são o
exantema, febre alta, coriza, conjuntivite, tosse,
fadiga e perda do apetite, parece fácil o diagnóstico,
mas não podemos esquecer que atualmente grande
parte dos colegas que atuam na ponta do atendimento,
viu casos de sarampo em figuras de livro ou na apresentação
de slides.
Outro fator de confusão está
presente: duas outras doenças hoje em alta,
devem obrigatoriamente fazer parte do diagnóstico
diferencial de um quadro semelhante ao sarampo: dengue
e rubéola.
Febre e exantema simplesmente falam
a favor da dengue, a presença de coriza, tosse
e conjuntivite a favor do sarampo e quando associados
à presença de adenopatias na região
posterior da orelha e pescoço, deve-se lembrar
da rubéola, tudo isso independente da situação
vacinal do paciente.
Frente a esse quadro e em alerta, a
Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD)
recomenda que as medidas de controle das doenças
exantemáticas no Estado seja intensificadas.
É necessário notificar todos casos suspeitos
para investigação epidemiológica,
além do reforço na vacinação
de rotina. Também devem ser mantidas ações
de busca ativa de doença exantemática
febril, os casos imediatamente investigados, seguindo
rigorosamente a definição de caso suspeito
de sarampo, com coleta de espécimes clínicos.
A vacinação é a
medida preventiva mais eficaz, a primeira dose deve
ser administrada a toda criança de um ano de
idade e a segunda dose entre quatro e seis anos. Recomenda-se
também, a vacinação dos adolescentes
e adultos, nascidos a partir de 1960, sem comprovação
de nenhuma dose. Além destes, devem ser vacinados
profissionais com atividades que envolvam viagens
e turismo, caminhoneiros, profissionais e estudantes
da saúde.Para sua informação
a Central de Vigilância do CVE, 24 horas, é
0800-555466.
Dr. Tadeu Fernando Fernandes
Presidente do Departamento de Pediatria SMCC
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