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Científico - 07/11/2003
III Congresso Trauma Ortopédico Infantil será dias 21 e 22 de novembro

    A Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica (SBOP), com o apoio do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC), realiza nos dias 21 e 22 de novembro (sexta-feira e sábado) o III TROIA – Congresso de Trauma Ortopédico Infantil - Atualização.
    O evento será realizado no anfiteatro da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da UNICAMP e contará com dois simpósios paralelos: "Cuidados com a criança imobilizada" e "Acidentes e maus-tratos na infância". Em homenagem ao centenário de nascimento do pintor Cândido Portinari, todo o material de divulgação do TROIA foi baseado em parte da sua obra, voltada para o universo infantil.
    O Presidente do evento, Prof. Dr. William Dias Belangero, Chefe dos Grupos de Ortopedia Pediátrica e de Traumatologia do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da FCM – UNICAMP, explica que o congresso abordará aspectos específicos do trauma do aparelho locomotor na criança e é voltado para ortopedistas e pediatras.
    Já o simpósio "Cuidados com a criança imobilizada" será voltado para enfermeiros e técnicos de enfermagem e o simpósio "Acidentes e maus-tratos na Infância", para educadores.

Sobre o TROIA

    Esta será a terceira edição do TROIA - evento criado pela Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica (SBOP) para tratar de temas relacionados à criança que sofre acidentes. Normalmente, tais acidentes são decorrentes da falta de preparo e do uso de equipamentos adequados para o transporte da criança no trânsito, do descuido dentro de casa ou ainda de atividades esportivas competitivas que, cada vez mais, vem substituindo as atividades lúdicas.
    "Estimulada pelos próprios pais e pelos educadores, o esporte vem sendo introduzido não só como um meio de educação e socialização, mas também como possibilidade de profissionalização no futuro. Se por um lado isto é salutar, por outro favorece a ocorrência de traumas, quando realizadas sem a devida orientação e os equipamentos de proteção necessários” analisa Belangero.
    Além disso, o TROIA tem como cunho principal mostrar o que há de mais recente no tratamento da criança traumatizada e mostrar aos residentes e médicos recém-formados a ciência e a arte envolvidas nessa especialidade. "É preciso que os profissionais saibam que o trauma na criança é diferente do trauma no adulto, não só pelo aspecto psicossocial, mas também pelo aspecto orgânico. Como a criança é um ser em desenvolvimento, seus ossos estão em pleno crescimento e, por esse motivo, não estão totalmente ossificados. Desse modo, lesões aparentemente de pouca gravidade nas radiografias podem causar deformidades graves que pioram com o crescimento da criança, se não forem devidamente diagnosticadas e tratadas”
    Por estes fatores, segundo Belangero, é importante formar indivíduos especializados no atendimento da criança traumatizada. "O ortopedista pediátrico, por estar mais voltado para o atendimento da criança, é o indivíduo mais indicado para realizar esse tipo de atendimento”.

Prevenção de Acidentes com Crianças

    Durante o Congresso será também apresentado o resultado de um levantamento detalhado sobre as crianças acidentadas em Campinas. O trabalho foi feito por meio de um questionário, encaminhado aos hospitais, para o diagnóstico das lesões mais freqüentes nas crianças. Os hospitais que participaram da pesquisa são os maiores da região, como o Hospital das Clínicas da UNICAMP, Hospital Celso Pierro da PUC-Campinas, Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, Hospital Vera Cruz, Centro Médico de Campinas, Centro de Ortopedia Campinas (COC) e Hospitais de Paulínia e Valinhos.
    Foram analisados 700 acidentes que envolveram crianças no período de um ano e foram observados dados importantes, como:

- O menino se acidenta mais que a menina;
- A idade que os meninos mais sofrem acidentes é ao redor dos 8 aos 10 anos, enquanto a menina se acidenta mais cedo, por volta dos 7 anos, confirmando que a maturidade, não só esquelética, mas também emocional e psicológica, ocorre mais precocemente na menina que no menino;
- Quando analisado os locais onde mais ocorreram acidentes, observou-se que a casa da criança foi citada com maior freqüência (dentro de casa, no quintal ou na rua - em frente à casa), locais onde, teoricamente, a criança teria assessoria de um adulto e, portanto, estaria mais "protegida";
- A rua é local de ocorrência de cerca de 20% dos casos;
- A grande maioria das lesões nas crianças são provocadas por quedas, sendo que metade delas produzem fraturas;
- As crianças se machucam mais no membro superior (punho, cotovelo e antebraço) que no inferior;
- Os acidentes de trânsito não são os de maior número, mas são os de maior gravidade.

    A idéia, segundo Belangero, é que através deste levantamento sejam realizadas campanhas educativas para se evitar acidentes. Um dos pontos da campanha será mostrar aos pais que a rua não é lugar seguro para as crianças brincarem, pois elas ficam mais expostas aos perigos e à violência urbana e, na maioria das vezes, sem a observação de um adulto responsável. O relatório vai mostrar ainda o que mais machuca uma criança dentro de casa e a partir deste resultado pretende-se orientar as famílias.
    Um outro levantamento semelhante foi feito junto à Escola Estadual Dr. Sérgio Porto, que atende aos filhos de funcionários da UNICAMP, onde detectou-se que aproximadamente metade da população analisada sofreu algum tipo de acidente que necessitou de atendimento médico.
    No simpósio sobre acidentes e maus-tratos na infância participarão representantes de vários segmentos da Sociedade (Secretaria Estadual de Educação, Secretaria Municipal de Educação, Pastoral da Criança, Assistência Social do Hospital Dr. Mário Gatti, Médicos Ortopedistas e Engenheiro de Segurança), que falarão sobre a sua experiência no tema, enfatizando os aspectos preventivos dos acidentes e maus tratos.
    A intenção desta parte do evento é criar um fórum de discussões e tirar dele campanhas educativas. "Pensamos em criar um programa perene de orientação e prevenção dos acidentes na criança junto à comunidade", explica Belangero.
    Os interessados em participar do III TROIA devem acessar o site www.fcm.unicamp.br/troia2003, onde se poderá obter todas as informações sobre o evento ou entrar em contato pelo fone 3788-7715 ou 3788-7750, com Sônia ou Daniela. As vagas são limitadas e os sócios da SMCC terão desconto no valor da inscrição.





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