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Científico - 12/08/2005
Mesa-redonda na SMCC
O Instituto de Terapia da Família realiza no próximo dia 12 de agosto (sexta-feira), às 19h30, a Mesa-redonda "O que muda com o paradigma sistêmico", voltada para as áreas de Saúde, Educação e Assistência Social e outras. O evento tem o apoio do Departamento de Psiquiatria da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas e será realizado no auditório da entidade, na Rua Delfino Cintra, 63, no Centro.
Participam da discussão: Elisabeth Polity - psicóloga, terapeuta de família e casal, presidente da APTF Associação Paulista de Terapia Familiar e diretora do Colégio Winicott de São Paulo, autora do livro “Dificuldades de Ensinagem”; Janete A. G. Valente - assistente social, coordenadora do Serviço Alternativo de Proteção Especial a Criança e ao Adolescente da Pref. Municipal de Campinas (SAPECA); Juares S. Costa - psiquiatra, terapeuta de família e casal, diretor do ITFCCps. Mais informações e inscrições pelo fone 3242-2823.
Paradigma Sistêmico: o que é isso?
Paradigma Sistêmico é visão do mundo, cada vez mais presente nos dias atuais, onde ocorre um questionamento de tudo o que era tido como verdade até então. E as relações e a ética são a base deste questionamento.
Estamos em uma sociedade com modelos de pensamento e formas de agir bastante diferentes da Antiguidade, da Idade Média e do período que via até o final da Segunda Guerra Mundial. Até então o que vigorava era uma visão primeiramente religiosa, seguida por uma visão basicamente científica, voltada para a objetividade e simplicidade.
Muita coisa mudou de lá para cá: hoje, nem devemos tudo a uma divindade (Paradigma Religioso), nem tudo está totalmente explicado pela ciência (Paradigma Científico).
Paradigma
A palavra paradigma vem do grego parádeigma, e significa padrão, modelo. Em todos os níveis de nossas vidas somos guiados por nossos paradigmas, por nossos padrões a respeito de como deve ser o mundo, de como ele funciona, e quais são suas regras. Em cada família, em cada pessoa, há sempre um conjunto de paradigmas, que norteia, e ao mesmo tempo limita nossa forma de viver e pensar.
Padrões da história da humanidade
Ao longo da história da humanidade, em cada comunidade, em cada povo, houve um paradigma, uma forma de ver o mundo que predominou e através do qual as pessoas organizavam seu cotidiano, criavam explicações para os fenômenos da vida e da morte. Outras visões de mundo sempre estiveram, e estão presentes, mas é importante ressaltarmos aqueles paradigmas que ficaram como identificação de cada período da história da humanidade.
Da antiguidade até o fim da Idade Média, o modelo seguido era de um Paradigma Religioso, onde a verdade existia em um plano superior, divino.
Do final da Idade Média até o final da 1ª metade do século XX, a humanidade passou ao Paradigma Científico/Moderno, onde a verdade está no mundo, regido por leis exatas. Começou a era das grandes navegações, das grandes descobertas, novos continentes, novos instrumentos científicos, em busca de novas verdades...
O fim da Segunda Guerra Mundial é hoje visto como o marco, e que na falta de um nome melhor, tem sido chamado de Pós-Modernidade (Paradigma Sistêmico), onde a verdade absoluta não existe, e o observador interfere no fenômeno observado.
A explosão das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki representaram ao mesmo tempo o apogeu e o início do declínio da crença na Ciência como sendo o caminho pra a redenção e o bem-estar da humanidade. Os cientistas que criaram a bomba atômica ignoravam (ou ignoraram?) as conseqüências sistêmicas, ecológicas da radiação.
Pós-modernismo é um termo amplo que se refere não somente a uma época, mas também a uma perspectiva filosófica, que inclui uma crítica ideológica dos fundamentos do pensamento literário, político e social. Ele questiona aquilo que é tido como certo e universal, incluindo os discursos dominantes e as práticas culturais – crenças, verdades, leis, instituições sociais...
Os critérios de validação para um conhecimento não estão mais embasados apenas nas leis da ciência, mas se apóiam no diálogo, no consenso, e principalmente na Ética. Mudam os costumes, a moral sexual, mas permanecem valores éticos que falam do respeito à vida humana, ao direito à integridade física de cada pessoa.
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