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Entrevistas - 14/09/2004
Eleições 2004

Candidato : Dr. José Alfredo Fontenele Feijó (candidato pelo PPS)

    1- Quais as suas propostas de ação com relação ao ISSQN cobrado em Campinas?

    Quanto à questão do ISSQN, devo dizer aos colegas médicos, que não creio que tenhamos os médicos uma atividade de qualquer natureza. Sem nenhum demérito aos colegas de outras profissões na área da Saúde, creio que devemos reconhecer que tanto do ponto de vista de investimentos (no sentido mais amplo do termo), quanto no sentido de cobranças por parte dos pacientes que são atendidos, os médicos são exigidos de uma maneira diferenciada. De modo que os impostos, os encargos e compromissos aos quais estamos submetidos são, me parece, extremamente acentuados. De maneira que não me parece justo que sigamos tendo aumentos de taxas para que possamos trabalhar. Creio portanto que movimentos como o que vem ocorrendo em nossa Sociedade para avaliar os impactos e buscar alternativas aos impostos que nos são cobrados são de absoluta pertinência. E lamento que colegas que tenham podido atuar em benefício de nossa classe (sem necessariamente incorrer em corporativismos) não o tenham feito quando, na Câmara Municipal, tiveram a oportunidade disso.

    2- Qual sua proposta para o atendimento na rede municipal de saúde?

    Minha proposta de atendimento na rede municipal de saúde baseia-se em uma constatação aparentemente simples, mas que vem sendo tanto mal interpretada pelos dirigentes de saúde municipais quanto, por vezes, por dirigentes da área acadêmica. Trata-se da denominação (e dos correlatos a essa denominação, como os investimentos por exemplo) de que os Centros de Saúde são as unidades básicas de saúde do município. De fato, são mesmo. Mas precisamos entender o que são unidades básicas de saúde, pois temos visto com muita frequência uma associação absolutamente equivocada de que unidade básica de saúde estaria relacionada com atendimentos "simples", e que a complexidade estaria dentro dos serviços hospitalares. Bobagem. O que acontece é que temos complexidades diferentes. Os Centros de Saúde lidam com a complexidade da atenção integral ao paciente, incluindo-se aí seus aspectos psíquicos, que fazem, por exemplo, com que muitas vezes este não faça uma adesão apropriada ao tratamento. Não levar isto em conta é pedir para os pacientes lotarem os pronto-socorros e transformarem cuidados em saúde em 'apagamentos de incêndios' que nunca cessam.

    3- Quais suas outras propostas de impacto para o município em outras áreas além da saúde?

    Além da área da saúde , chama-me muito a atenção as condições de urbanização de Campinas. Um fenômeno complexo, relacionado a várias áreas (trabalho, crescimento demográfico, conscientização ecológica etc) e que precisa ser cuidado de modo rigoroso, sob pena de vermos nossa cidade se transformar em um aglomerado de construções insalubres, que nada tem a ver com o local onde habitariam os cidadãos. Estes são a prioridade e não a especulação desenfreada.





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