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Notícias - 08/04/2004
Conhecendo Shakespeare

    Quem já não ouviu a famosa frase: “Ser ou não ser, eis a questão...” ou então, “Há algo de podre no reino da Dinamarca”. São frases que tornaram-se parte da cultura popular mundial, e que pertencem ao dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare, que viveu de 1564 a 1616 e que foi eleito no ano 2000, em diversos países da Europa, como o Homem do Milênio.
    Os estudiosos da vida e obra deste artista apontam-no como quem melhor reproduziu o ser humano, com toda a sua complexidade. E um destes estudiosos é o professor Valter Lellis Siqueira, que esteve na Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas no último dia 25 de março, realizando a palestra Conhecendo Shakespeare.
    O evento, que faz parte de um projeto de incentivo à cultura voltado para a classe médica, foi organizado pelos associados Álvaro Rodrigo Vilela Fávero e Augusto Terranova Rocha, e contou com um público de mais de 120 pessoas, de diversas áreas profissionais. A palestra foi um sucesso.
    Para o professor Siqueira, uma análise sobre a obra de Shakespeare mostra que ele é um artista que pode ser considerado atual até os dias de hoje, mesmo tendo vivido há tantos séculos. “Há cada leitura de sua obra, descobre-se algo de novo”, analisa. Para ele, é por isto que, depois da Bíblia, o livro mais publicado no mundo é Hamlet.
    As peças do artista eram encenadas em um dos momentos de maior participação popular no teatro, conhecido como Elizabetano. Nesta época, as apresentações acolhiam membros de todos os segmentos da sociedade.
    No período Elizabetano, o teatro era usado para importantes considerações sociais, políticas e filosóficas, com grandes questões sendo tratadas direta e indiretamente. Até por isso, em 1579, a rainha Elizabeth proibiu a realização de peças contando a história da Inglaterra.
    Para retratar como era o Teatro Elizabetano para os presentes, foi passado um trecho do filme “Shakespeare Apaixonado”, que retrata muito bem como eram encenadas as peças teatrais nesta época. O palco com os atores, ficava muito próximo da platéia. O professor ressalta, no entanto, que o filme em si, nada tem a ver com o verdadeiro Shakespeare.
    O professor Siqueira, durante o evento, falou um pouco sobre as principais obras do artista. Para ele, Macbeth, a sua predileta, é onde a humanidade é melhor retratada. O texto começa com dois vilões e termina com o público sentindo pena deles. Ele mostra que ninguém é totalmente bom ou ruim.
    Por fim, o palestrante indicou para leitura das obras do artista, as traduções de Bárbara Eleodora: Hamlet, Macbeth, Rei Lear e Romeu e Julieta; e também algumas traduções de Millôr Fernandes.
    Os estudiosos de Shakespeare são chamados de Bardólatras, pois Bardo é o poeta, o trovador. Shakespeare é considerado o “Grande Bardo”.

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