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Notícias - 18/07/2003
Mobilização dos médicos reúne poucos profissionais
Poucos médicos compareceram à Assembléia Geral do Dia Estadual de Mobilização, realizada na sexta-feira (11/07), no
auditório do Centro de Convenções Rebouças. Segundo os organizadores, cerca de 400 profissionais, vindos de vários pontos do Estado,
estiveram presentes ao evento.
Enidio Ilario, membro da Diretoria da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, e que esteve presente à
assembléia, embora considerando a temática como muito importante para a classe médica, por enfocar as relações com os planos de saúde e a
classificação hierarquizada de procedimentos, lamentou a má escolha do período para promover a necessária mobilização da classe. Uma
assembléia de uma categoria com quase 90.000 integrantes no estado, em um mês com muitos médicos em férias e em uma data espremida entre um
feriado e o fim-de-semana.
Outra questão que causou estranheza para Enidio Ilario foi a forma de condução da Assembléia que, ao contrário do
previamente acordado, não teve nenhuma proposta da plenária encaminhada para votação e foi encerrada apressadamente e inexplicavelmente.
Situação, segundo Enidio, que resultou somente em gastos de aluguel de um grande auditório, sendo que nada ficou definido. Sequer foi
discutida a situação insustentável para a classe médica e a sociedade em geral, da abertura de mais dois cursos de medicina no Estado de São
Paulo como anunciado no DOU (Diário Oficial da União) dos dias 7 e 8 deste mês. Na opinião de Enidio, está na hora de falar menos e fazer
mais para revalorizar e manter a dignidade do médico no Estado e no País.
Segundo a Associação Paulista de Medicina, organizadora do evento, os participantes elegeram as seguintes propostas
como prioridade: organizar uma comissão, entre os integrantes das Sociedades de Especialidade, para comandar a mobilização e fazê-la chegar
a todos os médicos de São Paulo; elaborar um cronograma de assembléias como a que foi feita, sendo a próxima realizada dentro de três semanas
no máximo; chamar os planos de saúde à negociação e, se não aceitarem as condições dos médicos, promover um dia de paralisação em todo o
Estado; fazer uma aliança com os usuários de planos de saúde e esclarecer as injustiças cometidas pelas operadoras.
À frente da mesa diretora, o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Eleuses Vieira de Paiva, lembrou, de
acordo com a APM, que a categoria segue desde 1996 sem reajuste no repasse feito pelos planos de saúde. Também levou aos presentes a boa
notícia da Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), que legitimou a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos
(lançada dia 15 de julho, em Vitória, Espírito Santo). "Qualquer preço inferior ao da Classificação Hierarquizada é preço vil. Quem cobrar
ou pagar menos, poderá ser questionado", afirmou.
O discurso de Eleuses de Paiva foi endossado pelos outros integrantes da mesa. "Com o rol de procedimentos médicos,
vamos aonde a Medicina exigir. Sem ele, não vamos a lugar nenhum", disse o presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), José Luiz
Gomes do Amaral. "A resolução do CFM nos fornece a ferramenta para os Conselhos Regionais de Medicina monitorarem de forma mais rígida os
colegas que desrespeitarem a resolução", complementou o vice-presidente do Cremesp, Gabriel David Hushi.
O presidente da Federação dos Médicos de São Paulo, Marcelo Miguel Quinto, foi outro a defender a aplicação do rol e
pediu mais empenho da classe nos movimentos promovidos: "Nunca nos reunimos para discutir quanto valia o nosso trabalho. Os outros decidiram
por nós. Chega de discutir em separado".
Para o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo, José Erivalder Oliveira, se faz essencial o apoio da
sociedade à causa médica: "Precisamos explicar que o nível da medicina suplementar caiu, mas não foi por culpa dos médicos. Quando fizermos
a aliança com a população, aí sim, a pressão sobre as operadoras será muito maior".
O presidente da AMB esclareceu ainda que a intenção da entidade é fazer uma mobilização nacional dos médicos,
promovendo em cada estado assembléias como a de São Paulo. "O próximo será o Paraná e dentro de uma semana teremos pelo menos dez estados
mobilizados", afirmou.
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