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SOCIEDADE DE MEDICINA E CIRURGIA DE CAMPINAS - Fundada em 1925
 

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Social - 3/11/2005
Livro resgata a trajetória do médico Dr. Vieira Bueno

    A Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC) sediou no dia 18 de outubro, Dia do Médico, o lançamento do livro que conta a trajetória do médico Vieira Bueno. O material foi desenvolvido após dez anos de pesquisas, sendo considerado o mais aprofundado trabalho sobre Vieira Bueno.
    O autor é José Antônio Penteado Vignoli. Advogado e gerente de uma instituição bancária em São Paulo, é também pesquisador de história da indústria automobilística brasileira.
    Tataraneto do médico, Vignoli fez uma aprofundada coleta de documentos que serviram para detalhar a atuação do médico, que morou em Campinas a partir de 1888 para tornar-se célebre na cidade que o acolheu.
    Ele é bisneto de Constança Vieira Bueno, que era filha de Manoel de Assis Vieira Bueno (Dr. Vieira Bueno) e casada com o engenheiro campineiro Gabriel Penteado, Chefe do Tráfego da Cia. Paulista.
    O médico Manoel de Assis Vieira Bueno foi um exemplo de dignidade e filantropia, atuou como sanitarista na Campinas combalida pela febre amarela. Político e jornalista por opção, o médico ilustre foi intendente campineiro entre 1896 e 1901. Foram dois mandatos consecutivos no cargo equivalente a “prefeito” da época.
    Seus ideais políticos passaram a fazer parte do cotidiano dos brasileiros justamente quando ele se mudou para Campinas, em 1888. Naquele ano a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que acabou com a escravidão. No ano seguinte, foi proclamada a República.
    “O trabalho de compilação começou em 1995, com a descoberta da importância que ele teve para Campinas”, justifica Vignoli. O pai dele, Francisco, escreveu uma autobiografia com citações sobre o filho e isso foi o ponto de partida para a pesquisa.
    O que mais dificultou o trabalho foi a falta de fontes de pesquisa onde o trabalho do Dr. Vieira Bueno estivesse mais claramente descrito. As fontes principais neste sentido foram o texto sobre sua morte publicado pelo Centro de Ciências Letras e Artes e o relatório de uma de suas administrações.
    A pesquisa provou que o Dr. Vieira Bueno estava completamente esquecido, uma vez que sua lembrança se resumia ao túmulo no Cemitério da Saudade e a uma rua que leva seu sobrenome. A extensa bibliografia sobre Campinas tem apenas citações esparsas sobre a atuação de Vieira Bueno, porém o quebra-cabeça foi sendo montado e o personagem ressurgiu compondo a história da cidade no período em que viveu, de 1888 até sua morte, em 1905.
    O trabalho seguiu uma linha temporal onde o personagem surge e flutua na história do Brasil e de Campinas daquela época. É um passeio pela política, saúde pública, sociedade da época e seus costumes. O ponto central da narrativa é a epidemia de febre amarela e a atuação no corpo clínico de Campinas.
    Retrata uma Campinas imperial e republicana, cheia de energia cultural e com problemas que hoje nem imaginamos terem existido além de mostrar o ambiente nacional daquela época. É realmente um passeio pelo passado que nos faz entender melhor o presente.
    Durante a pesquisa o autor se deparou com outras figuras igualmente importantes e que também hoje estão esquecidos sem que a população saiba exatamente quem são eles.
    A publicação resgata a história de um personagem bastante importante para Campinas e pode ser o primeiro de outros livros que tenham como objetivo preservar e divulgar a memória da cidade, além de incentivar outras pesquisas e outros autores.
    O livro “A Campinas do Dr. Vieira Bueno” é edição do autor e pode ser encontrado nas mais tradicionais livrarias de Campinas.





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